Aviso: Carry on e enfrente o ser mais maligno deste mundo, o temido spoiler.

“O retorno de Mary apresenta uma dinâmica que não vemos há muito tempo – ou nunca vimos. Quando ela se foi, Sam era um bebê e Dean uma criança. As crianças que ela conhecia agora são homens, de modo que o relacionamente entre eles é algo inexistente porque nunca houve. Eles terão de preencher uma enorme lacuna.” – Jensen Ackles, na San Diego Comic-Con

Eu não fiquei lá muito animado com o fim da temporada passada de Supernatural. O saldo geral foi positivo, para um ano que teve um ótimo clima e contou sim boas histórias. Mas o final, com Mary (vulgo Mamãe Winchester) retornando dos mortos, como um presente da Escuridão para Dean (Jensen Ackles), me deixou com um pé atrás.

A 12ª temporada de Supernatural vem aí para iniciar um novo arco na vida dos irmãos Sam e Dean. Cara, 12 temporadas. Não fico tão impressionado com a longevidade de uma série desde que Smallville acabou, após 10 anos de exibição – e que foi superada por Supernatural como a série mais longa de fantasia e ficção científica da tv aberta americana.

O novo ano vem um pouco mais simples que os anteriores: terminamos com Castiel (Misha Collins) quase expurgado, Sam (Jared Padalecki) sendo capturado, Lúcifer solto por aí de novo e Dean reencontrando sua mãe. As ameaças parecem ser muito mais terrenas, mais humanas, algo que remete diretamente à simplicidade do início da série, onde não haviam anjos e demônios por todo o lado e os irmãos apenas queriam encontrar o digníssimo Demônio de Olhos Amarelos.

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Vamos começar a temporada tentando entender como exatamente Mary foi trazida de volta – sabemos que foi a Escuridão, mas sempre pode ter algo a mais, certo? Ela, Dean e Castiel (que deve voltar de vez a ter destaque e ser mais parecido com o que conhecemos na quarta temporada) vão partir atrás de Sam, que vimos pela última vez levando um tiro. Ele foi capturado pelos Homens das Letras britânicos, um braço do mesmo grupo dos irmãos, e ainda não sabe que Dean sobreviveu ao confronto com Amara e nem do retorno da sua mãe. Ainda não ficou claro o motivo do confronto e da captura (provavelmente eles estão de saco cheio de como os Winchesters tem agido esses anos todos), mas isso deve ser logo resolvido. Aparentemente, o grupo se espalha pelo mundo, sendo quase uma “rede” de caçadores. Também não acredito que eles serão os vilões da temporada, nem a integrante loira Lady Toni (Elizabeth Blackmore), o que deixa então mais um ponto e aberto. Será que tudo vai ser resumir em mais uma caçada à Lúcifer?

Tio Lú, aliás, assumiu o corpo de um ~rockeiro de meia idade, uma representação clássica de sua figura. Já sabemos que ele e Crowley vão se encontrar em algum momento, mas as intenções do todo-poderoso das trevas ainda são desconhecidas, mas eu aposto em retomar o inferno de vez, coisa que ela já fez/tentou fazer na temporada passada. Os dois devem entrar em conflito direto, uma vez que Crowley busca vingança por toda a humilhação que sofreu – objetivo este em comum com Castiel, aliás, sendo que foi ele mesmo que disse sim e havia se tornado receptáculo de Lúcifer.

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Já a tão comentada volta de Mary (Samantha Smith) tem muito significado para a série. Foi com a morte dela, lá no piloto, que tudo começou, a mesma morte que moldou o caráter de Sam e Dean. Os dois nunca tiveram uma figura paterna muito presente, apesar de John significar muito para eles, e o reaparecimento da mãe a essa altura do campeonato, pode fazer com que eles repensem muita coisa em suas vidas. Ainda não sabemos se o retorno é permanente ou se vai durar pouco tempo (lembre-se que a série é exibida na CW, emissora conhecida por resolver os ganchos muito rápido), mas pelos trailers que já foram divulgados, teremos emocionantes momentos entre os três. Se bem desenvolvido, seria muito interessante que ela tomasse o lugar de Bobby para os meninos.

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Vale lembrar que esta é a primeira temporada sob direção dos novos showruners, Andrew Dabb e Robert Singer. Os dois são veteranos nos bastidores da série, sempre envolvidos com roteiro e produção, o que geralmente é sinal de coisa boa. E pelo visto, as coisas ainda vão demorar a acabar na série: os atores principais e os produtores disseram que chegar aos 300 episódios é quase uma meta para eles. Isso aconteceria somente numa provável 14ª temporada, que teria episódios reduzidos para culminar com o encerramento da série. Tudo muito bonito e significativo, e ainda dá tempo de contar uma boa história para o final da série, que merece sim ser algo grande. A questão é: será que dá?

Torcemos que sim. Apesar de tudo pelo que já passou, Supernatural ainda tem algo que falta em muitas produções atualmente: o poder de cativar e entreter. Ela pode não dar sustos como antigamente, mas sabe construir e mostrar a relação entre os Winchersters, fazendo dela sua força-motriz. Foi algo que ouvimos a quase 12 anos atrás e que ainda ecoa na cabeça de milhares de fãs por aí: salvar pessoas, caçar coisas. O negócio da família.

Supernatural retorna em 13 de outubro, e o primeiro episódio será intitulado Keep Calm and Carry On.