Animais Fantásticos e Onde Habitam estreou no Brasil há pouco mais de duas semanas, e hoje nos juntamos para elaborar nossa crítica e análise do filme. Não há spoilers diretos sobre a trama, mas enfatizamos nossa recomendação: assista ao filme primeiro! 🙂 Os textos abaixo refletem a opinião de seus respectivos autores.

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Olha o Newt

X Lucas Scárdua:

Quando as primeiras notas do clássico tema de John Williams tocaram, um sentimento diferente tomou conta de mim. Em poucos segundos fui capturado e já estava totalmente imerso na história, vendo notícias de jornais passando na minha frente, um novo bruxo das trevas surgindo e uma fantástica aventura tomando forma.

Animais Fantásticos veio cheio de expectativa. Não sabíamos muito bem para a onde a história iria e nem como reagiríamos ao ver o primeiro filme da franquia Harry Potter sem o próprio Harry Potter. A autora dos livros J. K. Rowling parece adivinhar nossos medos e aqui, como roteirista, entrega uma aventura sólida, com plot twists interessantes e extremamente respeitosa ao seu universo. Não há o que reclamar das atuações, apenas ressaltar a química entre o quarteto principal, composto por Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler e Alison Sudol. Ezra Miller está muito bem como Credence. Apesar do roteiro muito bem amarrado e da competente direção de David Yates (agora diretor oficial da franquia), o filme deixa muitos pontos em aberto e muitos ganchos para as continuações, que prometem ir mais a fundo nos detalhes de uma história já conhecida dos fãs. Para quem curte, isso é ótimo, mas para os mais xiitas, pode não agradar. Rowling carregou consigo a linguagem literária, dando ao filme várias “cenas finais”, o que dá a sensação de que a película se estica um pouco no final. Os animais fantásticos estão sim lá, mas a aventura é muito mais sobre os humanos.

A música tema mudou, ou melhor, evoluiu, assim como nós, a geração original de pottermaníacos. Como diz Newt Scamander, as pessoas mudam. Nós crescemos, estamos aprendendo a lidar com tantas situações diferentes, e o mundo que tanto nos acompanhou em nossa infância e adolescência ainda está lá, pronto para uma nova caminhada conosco. Nosso Mundo Bruxo está ficando maior, e ainda melhor.

 

X Vitor Neves:

Harry Potter é uma das maiores franquias na cultura pop. Com o sucesso dos seus livros, a indústria cinematográfica abraçou seu universo e seus espectadores cresceram juntos aos personagens em ambas as mídias, rindo, se divertindo e até mesmo sofrendo, findando em um final satisfatório para Harry e seus amigos. Uma longa e digna jornada para todos.

Eu nunca fui uma pessoa de acompanhar à risca. Não assisti aos filmes na ordem certa, faltando “O Enigma do Príncipe” e “As Relíquias da Morte Parte 1”, tendo lido somente o último livro por causa de certo amigo que, na aula de Literatura, fez a indicação dele pro sorteio. Mas não significa que esteja dizendo que não gosto: os filmes são muito divertidos e o livro que peguei meio que a contragosto foi uma experiência muito melhor do que esperava, tanto que levei todo o tempo da roda literária (50 minutos) pra falar sobre o livro.

Depois de alguns anos com somente uma peça de teatro, até onde sei, é trazido a nós Animais Fantásticos e Onde Habitam, onde acompanhamos Newt Scamander  em uma de suas viagens com o seu trabalho/hobby de proteção e estudos de feras mágicas. Ao acompanharmos um personagem que apesar de novo, traz lembranças da cultura dos bruxos britânicos aos quais estamos acostumados, vemos uma sociedade/cultura estranha, diferente do que fomos habituados. Você consegue ver a diferença clara do bruxo britânico e americano: enquanto um é mais refinado, um certo ar de cavalheirismo resultado de uma cultura mais antiga, o outro já fica mais próximo de como nossa sociedade funciona em empresas e na política. E o mais importante: enquanto em Harry Potter os bruxos conseguiam de certa forma conviver com pessoas normais, com alguns até considerando “trouxas” como uma raça inferior, em Animais Fantásticos há a presença de um medo muito maior por parte dos bruxos, sendo até um crime grave um bruxo revelar-se a uma pessoa.

Senti um pouco de estranheza no que se refere à magia presente no filme, achando que estavam poderosos demais. Mesmo considerando que os personagens ali já são bruxos experientes e formados, com um nível de conhecimento bem acima do que os estudantes de Hogwarts poderiam demonstrar, parecia que qualquer subordinado de Voldemort levaria uma surra dos bruxos de Nova York. Eu até me perguntei pra quê vassoura existe se qualquer um no filme consegue aparatar o tempo inteiro.

Animais Fantásticos e Onde Habitam é um filme fechado. Ele tem um final que não precisa de continuação, mas torna possível fazê-lo. Seus personagens são bem carismáticos e não acho que saem perdendo para o “grupo original”. Um filme bom, divertido, não é nenhuma obra-prima, mas um ótimo “bem-vindo de volta” pra os fãs desse rico universo.

 

X João Victor Salucci:

“Olha, eu achei que não fosse entender nada, mas acompanhei sem problemas do começo ao fim”. Essa frase foi dita por minha prima quando saímos do cinema, uma adolescente que não tem o sentimento nostálgico por aquele mundo mágico nem é fã de carteirinha das histórias de J. K. Rowling. Nesse momento, confirmei o acerto que foi Animais Fantásticos e Onde Habitam, e ainda empolgado com o filme fiquei pensando com meus botões como seria a continuação desta nova saga bruxa. Foi incrível.

O filme cumpre seu propósito: apresentar uma nova história, novos personagens e os tão esperados animais fantásticos, que sempre que aparecem roubam totalmente a cena. Os efeitos estão incríveis, a atuação do elenco e personalidade de cada indivíduo são incomparavelmente únicas (quem achou que Queenie seria só mais um rostinho bonito, busca desesperada por audiência, errou feio!), trilha sonora renovada e a trama se estabelece à medida que a história dos anos 20 é contada. Grindelwald está lá, e não se enganem pelas duras críticas feitas a Johnny Depp… ele mesmo aparece tão pouco que seria um pré-conceito da parte de qualquer um por dizer coisas do tipo “horrível, é só um Jack Sparrow loiro”. Deem algum crédito à Rowling e sua equipe…

Falando em equipe, David Yates me incomoda mais uma vez em sua direção, com a mania discreta de ‘imobilizar’ personagens, não deixá-los tão livres frente à câmera quanto poderiam ser a fim de permitir que seja uma história mais fluída. Mas, bem, é apenas um detalhe, nada capaz de comprometer a qualidade do filme. Não estamos falando sobre “O Enigma do Príncipe”, não é mesmo? Rowling estreia como roteirista com graça e glamour, arrancando a quantidade ideal de risos do público – cara, que foram aquelas cenas do pelúcio? Certamente, um filme merecedor de continuação.

 

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